Cruzando a fronteira entre Brasil e Bolívia

Fronteira entre Brasil e Bolívia, parte da rota Brasil – Bolívia – Peru

fronteira Brasil - Peru
Julho de 2003, aproximadamente 7 da manhã. Estávamos completando longas 22 horas dentro do ônibus que saiu de São Paulo e foi até Corumbá, no Mato Grosso do Sul, fronteira com a Bolívia e eu cada vez mais ansioso com o fato de que iria atravessar a minha primeira fronteira por terra. Chegamos completamente perdidos em Corumbá, e a única coisa que sabíamos é que queríamos cruzar para a Bolívia e ir para uma cidade chamada Puerto Suarez, onde até então achávamos que iríamos pegar um trem.

Na chegada, logo veio um taxista boliviano meio estranho que se ofereceu para nos levar para o outro lado da fronteira. Nós, cansados e inexperientes logo aceitamos e entramos no táxi, um carro muito surrado e sujo, e com algo interessante, o painel ficava do lado direito e tinha apenas um buraco onde deveria ficar a direção, enquanto onde o motorista estava sentado tinha apenas uma direção improvisada. Logo passamos a pensar o porquê de acreditar na primeira pessoa que apareceu e como seguimos um estranho para o seu carro sem perguntar ou pedir informação para mais ninguém. Já sussurrávamos que isso  talvez essa não tenha sido uma boa ideia.

Chegamos na fronteira, não havia ninguém, nada nos impedia de atravessar, o que nos impressionou, imaginávamos que teria muito mais segurança dos dois lados, mas não tinha ninguém e estava aberta. Podíamos simplesmente atravessar, mas precisávamos do carimbo de entrada da Bolívia para seguir nossa viagem ou teríamos problemas no futuro.

O taxista disse algo que não compreendemos, e atravessamos a fronteira. Pouco depois, entramos em uma pequena estrada de terra que foi se enfiando pela floresta e que ficava cada vez mais densa. Ficamos aterrorizados, afinal tínhamos apenas 20 anos e pouca experiência com viagens, a Bolívia era o local mais inóspito que qualquer um dos três já havia estado e o único que (achava que) falava espanhol, conseguia no máximo dizer que amava geleia de morango. Pensávamos que a nossa viagem iria acabar logo no primeiro dia e dfronteira-brasil-boliviae maneira bem ruim.

Após alguns instantes, o motorista parou em uma casa isolada no meio do mato, e começou a buzinar e gritar. Logo surge um senhor de cuecas e barriga saliente, o terror tomando conta dos três, nos entre olhávamos com uma expressão de cada vez mais medo. Estávamos na Bolívia, no meio do mato, em um carro bem sinistro, três viajantes quase que novatos, de repente, o senhor de cuecas com uma cara de pouquíssimos amigos começa a se aproximar e diz algo para o taxista que sorri e faz a volta, agora o taxista dirigia na direção contraria.

Voltamos para a fronteira, depois de uns 20 minutos o senhor de cuecas surge com uniforme de guarda de fronteira e carimba nossos passaportes, da um sorriso e diz “Bienvenidos a Bolivia”, aliviados, seguimos viagem.

 

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